A demarcação de uma terra indígena não é um evento — é um processo. A homologação presidencial é apenas o início de uma série de medidas necessárias para que a proteção territorial se torne realidade: fiscalização, expulsão de invasores, estrutura para as comunidades, reconhecimento dos direitos sobre os recursos naturais.

Três anos depois das demarcações de 2023, a reportagem do Norte em Pauta visitou quatro terras indígenas no Pará e no Amazonas para avaliar o que mudou na prática.

O que melhorou

A presença da FUNAI e do IBAMA nas terras demarcadas aumentou significativamente. O número de operações de fiscalização dobrou em relação ao período 2019-2022. O desmatamento dentro das terras demarcadas caiu 38% em 2024 e 2025, segundo dados do INPE.

Para as comunidades, a demarcação trouxe também benefícios práticos: acesso a programas de saúde indígena, regularização de escolas, e possibilidade de acessar crédito rural diferenciado.

O que não mudou

A pressão das frentes de expansão agropecuária não cessou. Nas bordas das terras demarcadas, o desmatamento continua — às vezes até aumentou, numa corrida para ocupar o máximo possível antes que novas restrições entrem em vigor.